Meio ambiente, um pouco de literatura de estilos: Artigos técnicos, ensaios, lendas e fabulas. Fotos da biodiversidade da Mata Atlântica.
Quem sou eu
- Ricardo Quinteiro de Mattos
- Cataguases, MG, Brazil
- Sou Professor pesquisador e fotografo. Tenho me dedicado a pesquisa da biodivesidade da Mata Atlântica. Tenho um livro publicado. Escrevo artigos para o Jornal Atual na coluna de meio ambiente e tenho quatro exposições itinerantes: “Rio Pomba - Um Caminho Natural”; “E.F. Leopoldina – Um Caminho de Ferro”; “Canal Campos Macaé – Um Caminho Pelas Planícies dos Goitacás”; “Mata Atlântica – Um Olhar Sobre a Região Sudeste”. Fotos no facebook. Atualmente estou no cardo de secretário da ARPA. Associação de Proteção Ambiental da Zona da Mata.
domingo, 18 de julho de 2010
2010 O ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE
2010 O ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE
Por Ricardo Quinteiro de Mattos
O ano de 2010 foi escolhido pela ONU para ser o ano da biodiversidade. O que representa a adição de mais uma tentativa de chamar a atenção das pessoas para a ameaça de extinção de varias espécies da flora e da fauna no mundo. A que ponto a humanidade chegou.
Mas o que é biodiversidade? Nos Biomas, existem grande variedade de organismos, sob várias formas, tamanhos e cores, dentro e fora da água. Podem: nadar, correr e voar. Literalmente Bio é vida e Diversidade é qualidade daquilo que é diverso, diferente ou variado. Vale a pena lembrar que Bioma é um domínio de formação de flora e fauna, que formam paisagens comuns e são caracterizadas por suas espécies. Um bioma tem vários ecossistemas. A Zona da Mata mineira está no domínio do Bioma da Mata Atlântica.
As árvores e animais encontrados no meio ambiente são denominados pelos pesquisadores de biota. Quando eles estão ameaçados de extinção, passam a fazer parte de uma lista do livro vermelho. Existem varias entidades governamentais e não governamentais que fazem monitoração dessas espécies, portanto os números dessa lista podem variar um pouco, o que podemos afirmar com mais segurança é que todos os índices estão crescendo muito.
Podemos relacionar como fatores determinantes que ameaçam a biodiversidade: O desmatamento; a poluição; a expansão de áreas agrícolas, de pecuária e de mineração; caça, pesca predatória e a apreensão para tráfico.
Minas Gerais é o Estado onde devastação da Mata Atlântica foi maior, proporcionalmente ao tamanho da sua área. Na superfície do relevo onde ainda possui remanescente da mata, a quantidade encontrada é inferior ao considerado necessário à manutenção da biodiversidade. Além disso, a falta de corredores ecológicos entre as Unidades de Conservação dificultam a interação genética das espécies. Portanto nossa tarefa é muito maior.
Existem dois biomas brasileiros na lista dos mais ricos em biodiversidades e ao mesmo tempo mais ameaçados do mundo, a Mata Atlântica e o Cerrado.Os dois com mais vinte e três biomas de todo o mundo estão em estado alarmante. O que eles têm em comum é que já tiveram mais de 75% de sua mata original destruída. No Caso da Mata Atlântica 93% já foram destruídos e por isso suas espécies de plantas e de animais correm sérios riscos de extinção.
Depois que uma espécie entra na lista das espécies ameaçadas, tudo é mais difícil. Uma espécie ameaçada precisa ser monitorada e protegida e ainda assim corre o risco de deixar de existir. Sua existência não depende só do número de indivíduos, depende também da variedade genética de grupos e famílias dentro de uma mesma população. É também importante uma grande área de vegetação com elementos produtores para atender a necessidade de toda biota consumidora. Portanto é menos complicado desenvolvermos ações agora, antes que espécies entrem na lista vermelha.
O Brasil através de sua comunidade cientifica e do governo federal, faz parte acordos e convenções internacionais para conservação de espécies da fauna e da flora ameaçadas. Comunga com a Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América e com a Convenção de Washington sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES).
Apesar da iniciativa da ONU, as ações preservacionistas continuam pontuais como antes. Mais como não queremos ser injustos vamos monitorar e publicar as mudanças de comportamento das pessoas.
Já alguns anos o Jornal Atual tem contribuído com uma atenção especial ao Meio Ambiente, publicando matérias educativas e ilustrativas.
É nesse sentido que o Jornal Atual abre um novo espaço. Onde você poderá contribuir interagindo com informações sobre ações que podem parecer isoladas, mas que estão contribuindo com a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica na Zona da Mata Mineira ou em qualquer lugar dos 17 estados onde é encontrada. Pode ser uma ação pessoal, um projeto comunitário ou escolar e um projeto empresarial. Você poderá também mandar para nós uma informação que considere interessante, obtida pela sua observação de um animal silvestre que aproxima da periferia das cidades em busca de alimento. Como uma aparição de um casal de Tamanduá Bandeira – na lista de extinção - que vi no bairro Colinas em Cataguases em 2008, o relato de uma onça parda vista atravessando a estrada no município de Argirita ou ainda uma Jacutinga que se exibe na BR 116 chegada de Muriaé. Portanto fique atento!
Além do relato é importante que escreva seu nome completo, a cidade e coloque o email e o telefone para contato.
No próximo número do Jornal Atual vamos explicar o que é o Livro vermelho e apresentar alguns números sobre as espécies ameaçadas de extinção. Durante os próximos seis meses iremos publicar varias informações sobre a Mata Atlântica, em Minas Gerais. Além de informações científicas, vamos comentar sobre instrumentos de preservação, curiosidades enviadas pelos leitores. No final do ano vamos apresentar um balanço das informações enviadas.
Contato: biodiversidade.atual@hotmail.com
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Modelado de Cataguases e Região
MODELADO DE CATAGUASES E REGIÃO
Saiba por onde andas !
Ricardo Quinteiro de Mattos - 2008
O termo Modelado entrou em desuso no meio acadêmico, ele era mais usado quando os pesquisadores descreviam superficialmente uma região, apenas um retrato do relevo e não descreviam cientificamente a origem do relevo. No entanto com uma paisagem exuberante a Zona da Mata merece esse título, por questão estética, ainda que nossa descrição literalmente será morfológica. A morfologia , estuda e define a origem, estrutura geral, a natureza das rochas e as forças que nelas atuam.
A Zona da Mata mineira está precisamente no trecho mais rebaixado da Mantiqueira, este relevo é denominado de Planaltos Cristalinos Rebaixados, no sudeste brasileiro.
O relevo ondulado tem altura com relação ao nível do mar de 300 a 400 metros e pontos que chegam a ter espigões de 800 a 1450 metros de altitude.
Nesta região as rochas de gnaisses e granitos, sofrem constantemente com a ação de outros elementos da natureza que provocam sua deteorização. Os detritos resultantes dessa erosão dão origem a argila vermelha e a amarela. Algumas faíscas de pegmatito são encontradas nessas rochas, que provocam o aparecimento da argila branca que é o caulim.
Rios e ribeirões dessecam o planalto cristalino, com destaque para o Rio Pomba e o Paraíba do Sul e os tributários de ambos. Eles têm uma participação muito importante na formação dos vales e dos alvéolos. A bacia do Pomba é responsável pela drenagem das águas que aqui caem e pelos extensos alvéolos, criados por entre encostas íngremes, no seu leito surgem o fundo rochoso e os desníveis dos alvéolos, favorecendo as quedas d’águas e o aparecimento de terraços anexados nos alvéolos que são ocupados por núcleos populacionais, como é o caso de Cataguases, D. Euzébia, Astolfo Dutra e tantas outras cidades.
Quem passa por Santa Bárbara do Tugúrio em direção a Barbacena, logo ao transpor a ponte sobre o Rio Tinguá, começa a admirar o penhasco à esquerda. Nele ressalta o filete d’água, que vai crescendo à medida que se vai evoluindo na estrada. De forma cristalina despenca por aproximadamente 100 metros na cachoeira do rio Ramalho. O que se pensa ser a nascente do Pomba é o Rio Ramalho correndo para ajudar a formar o Pomba.
O Rio Pomba nasce da fusão de quatro rios: o Rio Ramalho, com o Rio do Tinguá e o Rio Cachoeira do Castelo com o Rio Rodrigues. O Tinguá se une com o Rodrigues no município de Santa Bárbara do Tugúrio.
Santa Bárbara do Tugúrio está no sopé de um extenso vale entre dois contrafortes da Cadeia da Mantiqueira. Do lado esquerdo da vertente está a Serra do Sapateiro, do lado direito a Serra do Ramalho e no topo está Correia de Almeida, distrito de Barbacena.
O ponto preciso, onde a população local passa a denominá-lo, de Rio Pomba , localiza-se numa pequena barra, próxima a ponte do rio Tinguá, onde ocorre o encontro dos Rios Tinguá e Rodrigues, no terreiro do Sr. Augusto Reis. Contou-me ele do alto do seu pomar, apontando para a barra dos rios: “O Tinguá ao encontrar aqui o Rodrigues dá inicio ao Pomba. O Tinguá tinha até pouco tempo apenas uma desembocadura, agora está assoreada. Na sua boca surgiu esse monte de areia com vários filetes de águas”. As constantes enxurradas foram transportando muita areia e cascalho do seu leito, pela encosta da serra abaixo. Na barra formou-se um delta com várias pequenas saídas que se desviam dos montes de terras, areias e pedras.
O Rio Rodrigues é mais estreito e mais profundo, nasce na Serra do Sapateiro serpenteia por trás da serra e recebe as águas do Rio Cachoeira do Castelo.
O Rio Cachoeira do Castelo é de pequena extensão, nasce na Serra do Sapateiro e tem uma linda Cachoeira, que dá origem ao nome do rio.
O Rio Tinguá é largo, raso e de curta extensão, é muito sinuoso, suas águas, muito claras, e o fundo é de cascalho. Nasce onde termina o Rio Ramalho.
O Rio Ramalho nasce na Serra do Ramalho, próximo a um lugar chamado Chapadão, no distrito de Correia de Almeida, município de Barbacena.
A caminho do médio e baixo Pomba, já não há mais a mata, resta apenas algumas coroas nos montes com topografia em "meia-laranja", também chamados mamelonares ou mares de morros, formados pela intensa ação erosiva na estrutura cristalina das Serras adjacentes.
Passa por Cataguases inspirando poetas, pintores e pescadores. Vai desaguar no rio Paraíba, em Itaocara, RJ. No Pomba já construíram quatro usinas hidroelétricas com represas um pouco menores que a da usina Maurício, no rio Novo. Agora estão construindo mais uma na barra do Bruna, tributário do Pomba na margem esquerda, município de Palma. Isso quer dizer que os peixes não vão mais chegar a Cataguases em breve.
O que me deixa abismado é que estamos no auge de tantas campanhas ambientais e mesmo assim continuam com a construção de lagos artificiais onde se deveria estar sendo realizando o reflorestamento da mata ciliar.
O avanço do mar sobre a praia de Atafona na planície dos Goitacáz é uma conseqüência do represamento das águas, fazendo com que o rio perca força e volume suficiente para segurar o mar em seu limite e também da transposição do Paraíba em Barra do Piraí para o Rio Guandu, completando o abastecimento do complexo metropolitano do Rio de Janeiro. Portanto um aviso de que a interferência do homem na natureza terá conseqüências catastróficas.
Além do gnaisse e do granito são encontrados em quantidade menores o calcário, grafita gabro, riolito e latério. O latério branco é que da origem a bauxita. Esse mineral também denominado de hidrato de alumínio é resultado da alteração de rochas com grande teor de feldspatos, que por sua vez é de origem silico-aluminosos a base de potássio, sódio e cálcio.
O Planalto Cristalino Rebaixado está entre as escarpas do planalto da Mantiqueira e o maciço do Caparaó. A Mantiqueira tem seu ponto culminante em Itatiaia e o Caparaó com Pico da Bandeira. Estamos geomorficamente falando em um terreno deprimido de bordas de fundo, que vai aumentando nas bordas das escarpas da Mantiqueira a oeste e nos contrafortes de Caparaó a leste . daí a expressão “mar de morros”.
A Mantiqueira tem pelo menos três significados nas diversas línguas indígenas: A montanha que chora, a mãe das águas e gotas que caem. Ela é o segundo degrau do planalto brasileiro e o grande divisor de águas que correm para o oceano atlântico.
Por tanto, o relevo da Zona da Mata é resultante do Arqueamento que afetou o escudo tectônico do sudeste na era mesozóica. Arqueamento é o movimento epirogênico de placas da crosta terrestre, que produz arcos de grande curvatura dando o aparecimento de áreas levantadas, é portanto a origem das serras e dos planaltos.
Essa obra da natureza, surge da cristalização das primitivas rochas eruptivas, distribuídas no magma incandescente, surgido na era azóica.
O arqueamento brasileiro é a mais antiga e estável formação geológica das Américas. E uma grande escultura da primitiva crosta terrestre de origem pré-aquática da era azóica, caracterizada pela formação de sedimentos e pela evolução biológica.
Todos esses aspectos geológicos continuam em transformação embora não seja perceptível aos nossos olhos distraídos. Precisamos estar atentos no sentido de evitarmos a aceleração desse processo, provocado por interferência da ação humana em projetos econômicos, já que a recuperação do que foi destruído é diluída nos debates, o planeta caminha embalado pela música que é a nova sensação:“cada um no seu quadrado”.
Saiba por onde andas !
Ricardo Quinteiro de Mattos - 2008
O termo Modelado entrou em desuso no meio acadêmico, ele era mais usado quando os pesquisadores descreviam superficialmente uma região, apenas um retrato do relevo e não descreviam cientificamente a origem do relevo. No entanto com uma paisagem exuberante a Zona da Mata merece esse título, por questão estética, ainda que nossa descrição literalmente será morfológica. A morfologia , estuda e define a origem, estrutura geral, a natureza das rochas e as forças que nelas atuam.
A Zona da Mata mineira está precisamente no trecho mais rebaixado da Mantiqueira, este relevo é denominado de Planaltos Cristalinos Rebaixados, no sudeste brasileiro.
O relevo ondulado tem altura com relação ao nível do mar de 300 a 400 metros e pontos que chegam a ter espigões de 800 a 1450 metros de altitude.
Nesta região as rochas de gnaisses e granitos, sofrem constantemente com a ação de outros elementos da natureza que provocam sua deteorização. Os detritos resultantes dessa erosão dão origem a argila vermelha e a amarela. Algumas faíscas de pegmatito são encontradas nessas rochas, que provocam o aparecimento da argila branca que é o caulim.
Rios e ribeirões dessecam o planalto cristalino, com destaque para o Rio Pomba e o Paraíba do Sul e os tributários de ambos. Eles têm uma participação muito importante na formação dos vales e dos alvéolos. A bacia do Pomba é responsável pela drenagem das águas que aqui caem e pelos extensos alvéolos, criados por entre encostas íngremes, no seu leito surgem o fundo rochoso e os desníveis dos alvéolos, favorecendo as quedas d’águas e o aparecimento de terraços anexados nos alvéolos que são ocupados por núcleos populacionais, como é o caso de Cataguases, D. Euzébia, Astolfo Dutra e tantas outras cidades.
Quem passa por Santa Bárbara do Tugúrio em direção a Barbacena, logo ao transpor a ponte sobre o Rio Tinguá, começa a admirar o penhasco à esquerda. Nele ressalta o filete d’água, que vai crescendo à medida que se vai evoluindo na estrada. De forma cristalina despenca por aproximadamente 100 metros na cachoeira do rio Ramalho. O que se pensa ser a nascente do Pomba é o Rio Ramalho correndo para ajudar a formar o Pomba.
O Rio Pomba nasce da fusão de quatro rios: o Rio Ramalho, com o Rio do Tinguá e o Rio Cachoeira do Castelo com o Rio Rodrigues. O Tinguá se une com o Rodrigues no município de Santa Bárbara do Tugúrio.
Santa Bárbara do Tugúrio está no sopé de um extenso vale entre dois contrafortes da Cadeia da Mantiqueira. Do lado esquerdo da vertente está a Serra do Sapateiro, do lado direito a Serra do Ramalho e no topo está Correia de Almeida, distrito de Barbacena.
O ponto preciso, onde a população local passa a denominá-lo, de Rio Pomba , localiza-se numa pequena barra, próxima a ponte do rio Tinguá, onde ocorre o encontro dos Rios Tinguá e Rodrigues, no terreiro do Sr. Augusto Reis. Contou-me ele do alto do seu pomar, apontando para a barra dos rios: “O Tinguá ao encontrar aqui o Rodrigues dá inicio ao Pomba. O Tinguá tinha até pouco tempo apenas uma desembocadura, agora está assoreada. Na sua boca surgiu esse monte de areia com vários filetes de águas”. As constantes enxurradas foram transportando muita areia e cascalho do seu leito, pela encosta da serra abaixo. Na barra formou-se um delta com várias pequenas saídas que se desviam dos montes de terras, areias e pedras.
O Rio Rodrigues é mais estreito e mais profundo, nasce na Serra do Sapateiro serpenteia por trás da serra e recebe as águas do Rio Cachoeira do Castelo.
O Rio Cachoeira do Castelo é de pequena extensão, nasce na Serra do Sapateiro e tem uma linda Cachoeira, que dá origem ao nome do rio.
O Rio Tinguá é largo, raso e de curta extensão, é muito sinuoso, suas águas, muito claras, e o fundo é de cascalho. Nasce onde termina o Rio Ramalho.
O Rio Ramalho nasce na Serra do Ramalho, próximo a um lugar chamado Chapadão, no distrito de Correia de Almeida, município de Barbacena.
A caminho do médio e baixo Pomba, já não há mais a mata, resta apenas algumas coroas nos montes com topografia em "meia-laranja", também chamados mamelonares ou mares de morros, formados pela intensa ação erosiva na estrutura cristalina das Serras adjacentes.
Passa por Cataguases inspirando poetas, pintores e pescadores. Vai desaguar no rio Paraíba, em Itaocara, RJ. No Pomba já construíram quatro usinas hidroelétricas com represas um pouco menores que a da usina Maurício, no rio Novo. Agora estão construindo mais uma na barra do Bruna, tributário do Pomba na margem esquerda, município de Palma. Isso quer dizer que os peixes não vão mais chegar a Cataguases em breve.
O que me deixa abismado é que estamos no auge de tantas campanhas ambientais e mesmo assim continuam com a construção de lagos artificiais onde se deveria estar sendo realizando o reflorestamento da mata ciliar.
O avanço do mar sobre a praia de Atafona na planície dos Goitacáz é uma conseqüência do represamento das águas, fazendo com que o rio perca força e volume suficiente para segurar o mar em seu limite e também da transposição do Paraíba em Barra do Piraí para o Rio Guandu, completando o abastecimento do complexo metropolitano do Rio de Janeiro. Portanto um aviso de que a interferência do homem na natureza terá conseqüências catastróficas.
Além do gnaisse e do granito são encontrados em quantidade menores o calcário, grafita gabro, riolito e latério. O latério branco é que da origem a bauxita. Esse mineral também denominado de hidrato de alumínio é resultado da alteração de rochas com grande teor de feldspatos, que por sua vez é de origem silico-aluminosos a base de potássio, sódio e cálcio.
O Planalto Cristalino Rebaixado está entre as escarpas do planalto da Mantiqueira e o maciço do Caparaó. A Mantiqueira tem seu ponto culminante em Itatiaia e o Caparaó com Pico da Bandeira. Estamos geomorficamente falando em um terreno deprimido de bordas de fundo, que vai aumentando nas bordas das escarpas da Mantiqueira a oeste e nos contrafortes de Caparaó a leste . daí a expressão “mar de morros”.
A Mantiqueira tem pelo menos três significados nas diversas línguas indígenas: A montanha que chora, a mãe das águas e gotas que caem. Ela é o segundo degrau do planalto brasileiro e o grande divisor de águas que correm para o oceano atlântico.
Por tanto, o relevo da Zona da Mata é resultante do Arqueamento que afetou o escudo tectônico do sudeste na era mesozóica. Arqueamento é o movimento epirogênico de placas da crosta terrestre, que produz arcos de grande curvatura dando o aparecimento de áreas levantadas, é portanto a origem das serras e dos planaltos.
Essa obra da natureza, surge da cristalização das primitivas rochas eruptivas, distribuídas no magma incandescente, surgido na era azóica.
O arqueamento brasileiro é a mais antiga e estável formação geológica das Américas. E uma grande escultura da primitiva crosta terrestre de origem pré-aquática da era azóica, caracterizada pela formação de sedimentos e pela evolução biológica.
Todos esses aspectos geológicos continuam em transformação embora não seja perceptível aos nossos olhos distraídos. Precisamos estar atentos no sentido de evitarmos a aceleração desse processo, provocado por interferência da ação humana em projetos econômicos, já que a recuperação do que foi destruído é diluída nos debates, o planeta caminha embalado pela música que é a nova sensação:“cada um no seu quadrado”.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ricardo memórias
Vivemos algumas experiências no decorrer da vida que não damos conta da sua importância naquele momento. Passado muito tempo é que tomamos consciência do seu valor na nossa vida. Ficam ali gravadas por um longo tempo e de repente precisamos dela, basta uma fagulha de memória para o rastilho tudo restaurar em alta fidelidade.
Como nestes últimos meses estou pesquisando algumas ferrovias, percebi que não era apenas uma missão historiográfica, estava sendo um enorme prazer pô-la em prática. Acho até porque ferrovia sempre esteve presente em minha vida. E o estudo da história e da geografia era uma terceira opção se não pudesse estudar arqueologia ou oceanografia.
A minha primeira experiência com o trem foi no colo dos meus pais, em nossas viagens de férias para a terra deles. Fui crescendo e passei a viajar sentado no banco ao lado da minha irmã. Pelo menos uma vez por ano viajávamos para Macaé e Carapebus. Eu sempre ia mais vezes. As idas e vindas alternavam-se, dia ou noite. A noite nada se via e o trem andava cheio, até sair do Estado da Guanabara e entrar no Estado do Rio de Janeiro, nestas alturas já estava nos braços de Morfeu. Saía as 24 h. e chegava às 5horas. Muitas vezes ia de Litorina, um carro todo de aço da cor do níquel bonito, sofisticado e luxuoso, que é a automotriz. A minha avó Iná só gostava de andar nele. Grandes poltronas vermelhas acolchoadas. Parava em poucas estações. Eram apenas dois carros ou vagões e a viagem era mais rápida. Bom mesmo era o Expresso, uma composição mista de passageiro e carga, puxado do por uma locomotiva diesel. Parava em todas as estações. Saía as 05: e chegava às 12 horas. As janelas dos vagões eram simples e mais singelas. Tinha bancos de madeira na segunda classe e poltronas acolchoadas na primeira. Nele podíamos andar pelo vagão como um adulto, passávamos até de um para outro. Nas paradas comprávamos um monte de coisas gostosas. O contato com aquelas pessoas era mágico. Quando a Ponte Rio Niterói foi inaugurada, papai comprou um carro e tudo ficou para trás, para nós e para muita gente.
A estação de Carapebus fica entre a Igreja da matriz e o armazém da Usina. Era pequena e com o pé direito extremamente alto, isto é, mais alto do que o de costume., arquitetura eclética. A de Barão de Mauá é neoclássica, predominando elementos palladianos, com traços ingleses e romanos. O detalhe do triângulo com suas inscrições, também são achados em vários prédios da época. No seu interior era uma verdadeira galeria de arquitetura, pintura e escultura. Suas enormes colunas, nos transportam a um templo de Deuses mitológicos. Dava vontade de parar bem no centro, olhar para cima e apreciar a sutileza da estrutura metálica que protege a cobertura. Como se fosse possível ficar ali olhando toda aquela beleza, diante dos encontrões daquela massa humana a circular com bagagens e todo o tipo de cargas
Tudo, impressionava, principalmente a grandiosidade da Estação de Barão de Mauá. Os funcionários da Leopoldina uniformizados, de quepes e guarda pós, orientavam os recém chegados, com ar de importância e orgulhosos de seu papel. O condutor, com uma chave cromada, furava os tiques de passagem dos que estavam embarcados.
A entrada do prédio principal tem uma fachada monumental, de estilo arquitetônico empilhadas nos carrinhos apropriados para o serviço. Ao atravessar o imenso Saguão, dois mil metros quadrados, bancos de excelente desenho anatômico de pinho de riga, todo isso iluminado por centenas de lâmpadas. Hoje é só um salão vazio.
Em Morrinhos, na propriedade dos meus avós, tudo era sem pressa ,os dias calmos e divertidos, perdia-se a noção tempo, despertados apenas pelo apito do trem, na Estação de Itaquira, à alguns quilômetros dali, que funcionava como um relógio para nós.
Mais perto ainda ficava a ponta do Ramal Agrícola da Usina de Quissamã, chado de Picadeiro, que vinha buscar cana nas fazendas da região. Este Ramal tinha três pontas Uma na Usina outra na estação de Conde de Araruama que pertencia a Leopoldina. Lá tinha uma rotunda com várias chaves. Do lado oposto partia outro ramal, esse muito maior, ia até Santa Maria Madalena. Entre a Usina e a Estação de Conde, tinha uma chave onde saía a linha da terceira ponta, com destino a Morrinhos, passava por várias propriedades rurais até que chegava quase na porta da cozinha do vovô Neco meu bisado. O lugar era chamado de Picadeiro. O carro de boi levava a cana da lavoura até lá, onde a cana era picada e embarcada, só não tinha estação. Uma lastimável pena! Ali as velhas locomotivas deixavam os vagões prancha para serem embarcados.
Era um bom lugar para se brincar. Os primos não sabiam do perigo que passavam. Num certo dia a molecada toda, uns seis, subindo e descendo dos vagões, já abarrotados de cana, levaram um grande susto. Estava apenas eu, detraído debaixo do vagão admirando aquelas ferragens que prendiam as rodas, enquanto os outros estavam em cima dos vagões. Era um momento tão mágico que até podíamos ouvir ao fundo a valsa de Vila Lobos “O Trenzinho Caipira” com letra de puxadores em metal e bronze, grandes cinzeiros com detalhes em dourado espalhados por todo o centro do grande salão de aproximadamente 20 vagões mordendo os pedaços de cana, quando um grande solavanco se deu. A locomotiva chegou sem que percebêssemos e engatou no primeiro vagão. A pancada do engate fez com que a composição afastasse uns trinta centímetros. Foi um grande susto para todos, quem estava em cima pulou. Eu que estava em baixo levantei. E obvio,dei uma cabeçada no assoalho do vagão, em reflexo a enorme dor, ainda olhei para cima e vi que foi o impacto justamente na cabeça de um enorme parafuso. A minha sorte, aliás a de todos nós, é que ninguém estava colado a uma das rodas , que estávamos no último vagão e nenhum adulto percebeu a nossa presença. Logo saí de baixo, mal me pus ereto e a composição partiu. Foi aí que começou a doer, pude sentir o sangue escorrendo pelo pescoço ao ver o trem partindo. Não me lembro qual mentirinha inventei para minha avó Nati, também ela já estava acostumada com minhas estropiações.
Na adolescência, morando no Rio de janeiro, nossa casa ficava no bairro Riachuelo, era próxima a Estação. Eu estudava no Méier e minha mãe me dava o dinheiro para a passagem do ônibus. Na ida ,eu ia no 627, na volta vinha de trem e guardava a diferença da passagem.
Eu andava muito de trem, com a molecada do Edifício Evelim, quando não tinha nada para fazer me acompanhavam em longos passeios pelo subúrbio. Gostava de ir até Japeri ou Campo Grande no 13 que era parador voltava no 15 que era o direto, esse parava em poucas estações.
Após tantos anos sem andar de trem, decidi colocar em meu plano de aula da oitava série, uma visita ao Museu do Trem em Juiz de Fora. Por coincidência chegamos próximos ao horário da saída do Trem Xangai que fazia o trajeto Juiz de Fora a Matias Barbosa.. Como o tempo era suficiente para irmos e voltarmos embarcamos. Foi justamente no ano que o trem parou de funcionar. Foi uma das ultimas viagens.
O Trem na minha vida.
Ser professor não é fácil, principalmente quando poucos querem ouvir alguma coisa. Uma coisa que me fez não desistir dessa profissão, assim como já desisti de outras no passado foi a pesquisa e o ato de escrever. Quanto mais descubro novidades e compartilho com outras pessoas mais forma consigo para suportar o desinteresse. Atualmente tenho me dedicado a pesquisa de Estradas de rodagem e caminhos de ferro. Também rios e canais. O texto abaixo é um pouco das minhas lembranças que influenciaram na escolha das minhas pesquisas.
Ser professor não é fácil, principalmente quando poucos querem ouvir alguma coisa. Uma coisa que me fez não desistir dessa profissão, assim como já desisti de outras no passado foi a pesquisa e o ato de escrever. Quanto mais descubro novidades e compartilho com outras pessoas mais forma consigo para suportar o desinteresse. Atualmente tenho me dedicado a pesquisa de Estradas de rodagem e caminhos de ferro. Também rios e canais. O texto abaixo é um pouco das minhas lembranças que influenciaram na escolha das minhas pesquisas.
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